No momento, você está visualizando O controle “esquisito” que todo mundo zoou em 1996 virou padrão obrigatório da indústria dos games — e isso é uma aula de marketing

O controle “esquisito” que todo mundo zoou em 1996 virou padrão obrigatório da indústria dos games — e isso é uma aula de marketing

Há pouco mais de uma semana, em 23 de junho, o Nintendo 64 completou 30 anos do seu lançamento no Japão. E se você jogou nele quando criança, provavelmente lembra da primeira reação ao pegar aquele controle: “que negócio estranho é esse?”.

O formato em “M”, com três empunhaduras e botões espalhados de um jeito nada convencional, virou piada instantânea. Só que escondia, ali dentro, a maior revolução silenciosa da história dos videogames.

A inovação que ninguém pediu

Antes do N64, os controles eram só direcionais digitais: oito direções fixas, sem nuance. A Nintendo colocou ali um analógico central — o “Control Stick” — permitindo movimento gradual, suave, impreciso de propósito. Foi o primeiro grande console a apostar nisso.

Super Mario 64, lançado junto do console, só existiu do jeito que existiu por causa dessa peça. O salto triplo, o chute aéreo, a movimentação fluida em 3D: nada disso seria possível com um botão que só entende “sim” ou “não” em oito direções.

Quando o mercado ri primeiro e copia depois

Só que, na época, o design estranho gerou mais piada do que elogio. A Sony, que tinha lançado o PlayStation original dois anos antes sem nenhum analógico, assistiu ao sucesso do recurso e correu atrás: lançou o Dual Analog Controller em 1997 e, em 1998, o DualShock — que existe, com adaptações, até hoje em todo controle de videogame do mundo.

O impacto foi tão grande que Sony, Sega, Microsoft e praticamente toda a indústria adotaram conceitos semelhantes nos anos seguintes.

Ou seja: a ideia “esquisita” que fez a criançada rir na loja se tornou, em menos de dois anos, item obrigatório para qualquer console competir no mercado.

O preço de ousar primeiro

Vale lembrar: o N64 não foi o console mais vendido da geração. Vendeu cerca de 33 milhões de unidades, muito atrás dos mais de 100 milhões do PlayStation. A decisão da Nintendo de manter os cartuchos, mais caros e limitados, afastou desenvolvedores terceiros e custou caro comercialmente.

Inovar primeiro nem sempre significa vencer no curto prazo. Às vezes significa carregar o peso de educar o mercado — enquanto o concorrente que copia depois colhe os louros com menos risco.

A sacada de marketing

Toda marca que lança algo genuinamente novo vai enfrentar a mesma reação inicial: estranhamento, piada, resistência. É tentador interpretar isso como fracasso e recuar. Mas o N64 mostra que o timing do julgamento do mercado é traiçoeiro: o que parece esquisito hoje pode virar padrão obrigatório amanhã — mesmo que não seja você quem lucre mais com isso. A pergunta que fica pra qualquer negócio é: você está disposto a pagar o preço de ousar primeiro, sabendo que talvez seja o concorrente a colher o resultado?

E você, lembra da primeira vez que pegou um controle de N64 na mão? Conta aqui nos comentários.

InstagramTikTokYouTube
📖 Vivências que Conduzem ao Marketing Digital Simplificado — um valor simbólico para ajudar a manter esse blog no ar!

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado