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Paciência Que Vale Milhões: Os Dois Anos de Negociação Que Levaram Uma Música de 1985 a Quebrar Recordes Históricos 37 Anos Depois

Em 1985, essa música alcançou apenas a 30ª posição na Billboard. Discreta, sem grande alarde, ficou marcada como mais uma faixa boa de um álbum bem avaliado pela crítica.

Trinta e sete anos depois, ela voltou ao topo das paradas mundiais — um recorde histórico nas paradas britânicas. E o caminho até essa segunda vida levou dois anos só de negociação. 🎵

O Álbum Nascido em um Galpão

“Running Up That Hill” é a faixa de abertura de Hounds of Love, quinto álbum de estúdio da cantora britânica Kate Bush, lançado em setembro de 1985, depois de dois anos de composição experimental — feita inteiramente em um estúdio próprio montado num galpão atrás da casa da família de Bush.

O disco representou a consolidação do uso de sintetizadores e equipamentos eletrônicos na composição da artista, incluindo o Fairlight CMI, o primeiro sampler da história, que Bush considerava capaz de mudar completamente sua forma de compor — da mesma maneira que um piano ou violão influenciariam outro compositor.

A Negociação Mais Longa Que um Executivo Já Viu

Décadas depois, quando os criadores de Stranger Things, Matt e Ross Duffer, decidiram usar a música como tema da personagem Max (interpretada por Sadie Sink) na quarta temporada da série, o processo de conseguir os direitos não foi rápido nem simples.

Segundo Tom Miles, vice-presidente sênior da Warner Music Group no Reino Unido e Europa, em entrevista ao The Hollywood Reporter, levou cerca de dois anos de negociação entre a Netflix e a equipe de Kate Bush para fechar o uso da música na série. “Não é como uma propaganda”, explicou Miles sobre a complexidade do processo.

“Essa foi provavelmente a negociação de TV mais longa que eu já vi”, afirmou o executivo. “Eles tinham que acertar. A música é obviamente tão poderosa.”

O “Primeiro Resgate” Que Poucos Lembram

E antes mesmo de Stranger Things, “Running Up That Hill” já tinha tido uma primeira ressurreição cultural: uma versão em cover gravada pela banda Placebo, nos anos 2000, que ajudou a manter a música circulando entre uma geração mais jovem através de aparições em outras séries de TV.

Mas foi a escolha específica de usar a versão original de Kate Bush — e não um cover — atrelada à jornada emocional de Max, que elevou a música a um status completamente diferente: não apenas uma trilha sonora de cena, mas um elemento narrativo central da própria trama, a “música que literalmente salva” a personagem em momentos críticos da história.

O Resultado: Recorde Histórico

Depois da estreia da quarta temporada, em maio de 2022, “Running Up That Hill” disparou ao número 1 do ranking global do iTunes e ultrapassou um bilhão de streams no Spotify pouco mais de um ano depois — alcançando o topo das paradas no Reino Unido, Noruega, Suécia, Austrália, Suíça, Holanda e Áustria.

Segundo estimativas da CBS, a inclusão da música na trilha de Stranger Things gerou aproximadamente 2,3 milhões de dólares em receita de streaming — e a maior parte desse valor foi diretamente para a própria Kate Bush, que detém os direitos autorais das gravações originais.

Em entrevista à BBC Radio 4, a cantora descreveu a experiência com simplicidade: “Achei que a canção chamaria atenção. Mas eu nunca imaginei como seria algo assim. (…) O mundo inteiro ficou maluco.”

“Eles tinham que acertar. A música é obviamente tão poderosa. (…) Essa foi provavelmente a negociação de TV mais longa que eu já vi.” — Tom Miles, vice-presidente sênior da Warner Music Group, sobre a negociação dos direitos de “Running Up That Hill” para Stranger Things.

A Lição de Marketing Que Essa História Entrega

O caso de “Running Up That Hill” é um dos exemplos mais claros de licensing patience pays off — paciência em licenciamento compensa.

A Netflix poderia ter optado por uma música mais barata, mais rápida de negociar, ou até um cover, como o do Placebo. Em vez disso, esperou dois anos inteiros para conseguir exatamente a faixa certa — porque os criadores sabiam, instintivamente, que o impacto emocional certo valia a demora.

No marketing de conteúdo, isso é uma lição rara: às vezes, o elemento que vai gerar o maior retorno não é o mais conveniente de se conseguir rapidamente — é aquele pelo qual vale a pena esperar até fechar do jeito certo. 🎵

Você lembra de ouvir “Running Up That Hill” antes de Stranger Things? Me conta nos comentários!


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