Shrek foi criado pelo escritor americano William Steig, que publicou o livro infantil original em 1990.
Mas o filme que o tornou um fenômeno global nasceu de algo muito mais interessante: uma das maiores brigas corporativas da história de Hollywood. 🐸
Conteúdo
A Origem: O Livro de William Steig
William Steig era um cartunista e escritor americano — colaborador de longa data da revista New Yorker — quando publicou “Shrek!”, em 1990. O livro contava a história de um ogro feio e mal-humorado que sai pelo mundo em busca de aventuras, encontra uma princesa igualmente estranha, e descobre que a beleza está nos olhos de quem vê.
Era um conto de fadas às avessas — com humor adulto, personagens intencionalmente desagradáveis, e uma mensagem que subvertia as convenções do gênero. Exatamente o tipo de material que, nas mãos certas, poderia virar algo diferente de tudo que havia sido feito antes.
A Rivalidade Com a Disney Que Criou a DreamWorks
Jeffrey Katzenberg foi por anos um dos executivos mais poderosos da Disney. Supervisionou o renascimento da animação da empresa nos anos 90, com sucessos como A Pequena Sereia, A Bela e a Fera, Aladdin e O Rei Leão.
Mas em 1994, após conflitos internos com o CEO Michael Eisner, Katzenberg deixou a Disney. A saída foi amarga — e ele entrou com um processo judicial contra a empresa, reivindicando bônus que alegava ter direito. O caso foi encerrado com um acordo de 280 milhões de dólares.
Com os recursos obtidos, Katzenberg fundou a DreamWorks Animation ao lado de Steven Spielberg e David Geffen. E muitos analistas de Hollywood viram no Shrek uma resposta direta à Disney: um ogro feio como herói, uma princesa que preferia ser monstro, um vilão que era um lord elegante e superficial — uma sátira aos contos de fadas que a própria Disney havia popularizado.
O Teste Que Quase Matou o Projeto
A versão original de Shrek que a DreamWorks estava desenvolvendo era bem diferente do filme que chegou aos cinemas em 2001. A ideia inicial envolvia um formato híbrido — parte live-action, parte animação — com o comediante Chris Farley no papel principal.
Farley gravou quase todo o áudio do personagem antes de morrer, em 1997. Com sua morte, o projeto precisou ser completamente reinventado. Mike Myers assumiu o papel e redefiniu completamente a voz e a personalidade do ogro.
Depois de um longo período de desenvolvimento, a DreamWorks fez uma sessão de teste do filme — e a reação foi tão negativa que o estúdio precisou recomeçar partes significativas da produção.
O Resultado Que Mudou a Animação
Shrek estreou em 18 de maio de 2001 e arrecadou quase 500 milhões de dólares mundialmente. Em 2002, quando o Oscar criou pela primeira vez a categoria de Melhor Filme de Animação, Shrek ganhou — derrotando o próprio Monstros S.A., da Pixar.
Em 2026, Shrek completa 25 anos. E o ogro verde ainda é um dos personagens mais queridos do cinema, com o quinto filme da franquia confirmado para 2027.
“Shrek foi criado por William Steig, que publicou o livro homônimo em 1990. O filme foi produzido pela DreamWorks, fundada por Jeffrey Katzenberg após deixar a Disney em circunstâncias polêmicas — o que muitos viram como a origem da rivalidade refletida no próprio personagem.” — @fernomarketing, ao contar a história real por trás da criação do Shrek.
A Lição de Marketing Que Shrek Entrega
A criação de Shrek é um dos casos mais interessantes de como uma rivalidade corporativa pode gerar um produto culturalmente poderoso.
Katzenberg não precisava criar Shrek para ganhar dinheiro — tinha o acordo milionário da Disney para isso. Mas escolheu criar um estúdio e um produto que, de certa forma, era uma resposta direta ao lugar de onde havia saído.
No marketing, isso é sobre como a motivação por trás de um produto molda a alma dele. Shrek não é só um filme de animação. É um manifesto contra a superficialidade dos contos de fadas tradicionais — e essa camada extra de intenção é parte do que o tornou tão duradouro. 🐸
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