Se alguém te dissesse que a empresa por trás de Super Mario, Zelda e Pokémon começou fabricando cartas de baralho artesanais no Japão do século XIX, você acreditaria?
Pois é exatamente isso.
A história da Nintendo é uma das mais épicas do mundo dos negócios. Uma empresa que mudou de ramo várias vezes, quase faliu em pelo menos duas ocasiões, e chegou ao sucesso graças a um designer jovem que não tinha experiência, um gorila imaginário e um encanador bigodudo. 🍄
Conteúdo
1889: Tudo Começa Com um Baralho
A Nintendo foi fundada em 18 de setembro de 1889 por Fusajiro Yamauchi, em Kyoto, no Japão.
O negócio? Fabricar hanafuda — cartas tradicionais japonesas, feitas à mão, usadas em jogos populares na época.
As cartas fizeram sucesso. Tão grande que Yamauchi precisou contratar assistentes pra dar conta da demanda. A empresa cresceu, foi passando de geração em geração na família Yamauchi, e virou a maior fabricante de cartas do Japão.
E aí, na virada dos anos 1960 para os 70, o problema chegou: os jogos eletrônicos estavam chegando, e o mercado de cartas físicas começou a encolher. A Nintendo precisava se reinventar.
Tentaram de tudo. Hotel de luxo. Empresa de táxi. Comida instantânea. Brinquedos. A maioria dos projetos fracassou.
Só que um funcionário de 1977 mudaria tudo. Seu nome era Shigeru Miyamoto.
O Designer Sem Experiência Que Criou Mario
Em 1980, a Nintendo tinha um problema específico: havia importado 2.000 gabinetes de arcade de um jogo chamado Radar Scope para os Estados Unidos. O jogo fracassou. E os gabinetes estavam encalhados nos armazéns americanos.
A solução seria criar um novo jogo que pudesse usar os mesmos gabinetes. E para isso, chamaram Shigeru Miyamoto — um designer jovem, contratado em 1977, que nunca tinha criado um videogame na vida.
Miyamoto queria criar um jogo baseado em Popeye. A Nintendo tentou comprar os direitos do personagem. Não conseguiu.
Então ele inventou os próprios personagens.
Criou um gorila malvado que havia sequestrado a namorada de um homenzinho bigodudo. O gorila se chamou Donkey Kong. O homenzinho se chamou Jumpman — porque tudo que ele sabia fazer era pular.
“Miyamoto queria criar uma figura que representasse a classe trabalhadora, alguém que personificasse o homem comum. O bigode foi uma solução de design: com poucos pixels disponíveis, era mais fácil desenhar um bigode do que animar os lábios do personagem.” — História oficial da Nintendo, sobre a criação de Mario.
O bigode, o chapéu, as jardineiras — tudo era solução de design para um problema técnico de pixels. Não havia glamour. Havia limitação técnica sendo transformada em identidade visual.
Donkey Kong, Universal Studios e a Guerra que a Nintendo Ganhou
Donkey Kong foi lançado em 1981 e foi um sucesso imediato. A Nintendo ganhou 180 milhões de dólares só no primeiro ano nos Estados Unidos.
Aí veio o problema.
A Universal Studios entrou com um processo afirmando que Donkey Kong era uma violação dos direitos de King Kong — o gorila gigante do cinema. Exigiu que a Nintendo pagasse royalties por todos os gabinetes vendidos.
Era para ser o fim. A Nintendo era uma empresa japonesa pequena, enfrentando um estúdio americano gigante em solo americano.
Mas a Nintendo contratou um advogado chamado John Kirby — que depois ganharia um personagem homenagem com o seu sobrenome — e foi à guerra judicial.
O argumento da defesa? A Universal havia usado exatamente esse mesmo argumento, anos antes, para provar que King Kong era de domínio público — e ganhou. Não podiam agora afirmar que King Kong era propriedade deles.
A Nintendo ganhou o processo. Recebeu indenização da Universal. E Jumpman foi rebatizado como Mario — em homenagem ao dono do armazém americano da Nintendo, Mario Segale, que tinha esperado pacientemente enquanto a empresa atrasava o aluguel.
A Lição de Negócios Que a Nintendo Entrega
A história da Nintendo é a história de uma empresa que sobreviveu mudando. Cartas de baralho, brinquedos, jogos eletrônicos, consoles portáteis, realidade aumentada com Pokémon Go — cada vez que o mercado mudou, a Nintendo encontrou um jeito de se reinventar sem perder a essência.
No marketing, a gente chama isso de adaptabilidade de marca. A capacidade de mudar o produto, o canal, a plataforma — mas manter o DNA que faz o público te reconhecer e te amar.
A Nintendo ainda fabrica baralhos no Japão até hoje. E ainda organiza o torneio Nintendo Cup de bridge todo ano.
Porque algumas origens são tão boas que a gente não precisa esquecer de onde veio para chegar onde quer. 🎮
Você cresceu jogando Nintendo? Qual foi o primeiro jogo que te marcou? Me conta aqui nos comentários!
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