A franquia mais rentável da história — acima de Star Wars, acima de Hello Kitty, acima de qualquer outra propriedade intelectual criada pelo ser humano — nasceu de um menino tímido que gostava de pegar besouros num riacho no interior do Japão.
Pokémon vale mais de US$150 bilhões. E quase não existiu.
A história de Satoshi Tajiri é boa demais para não ser contada. 🎮
Conteúdo
O Menino Dos Besouros — e a Cidade Que Tomou o Lugar Deles
Satoshi Tajiri nasceu em 1965 numa área rural de Machida, no Japão. Na infância, seu passatempo favorito era explorar riachos e campos em busca de insetos — especialmente besouros — que coletava, batizava e colocava para batalhar com os de outros garotos.
Os amigos chamavam ele de “Dr. Bug” — o Doutor Inseto.
Mas ao longo dos anos 70 e 80, a urbanização de Tóquio avançou sobre a região onde Tajiri cresceu. Os riachos foram sendo canalizados. Os campos viraram prédios. Os besouros desapareceram.
E Tajiri não esqueceu essa infância.
Quando viu pela primeira vez o cabo Link do Game Boy — o acessório que permitia conectar dois videogames portáteis para troca de dados — uma imagem atravessou sua mente: insetos viajando pelo cabo, como faziam nos riachos da infância. Uma criança podendo dar para a outra o besouro que tinha capturado.
Essa imagem virou Pokémon.
A Fanzine, o Amigo e a Empresa Que Quase Faliu
Antes de criar Pokémon, Tajiri havia fundado uma fanzine sobre videogames — uma revista feita à mão, grampeada e distribuída para fãs. O nome: Game Freak.
A fanzine foi largamente distribuída para prender a atenção de contribuidores adicionais, incluindo um jovem rapaz chamado Ken Sugimori. Os dois logo viraram amigos e, após alguns anos estudando linguagem de programação, fundaram a companhia desenvolvedora de jogos Game Freak em 1989.
Ken Sugimori foi o artista que desenhou todos os Pokémon originais. Sem ele, Tajiri teria apenas a ideia. Com ele, a ideia ganhou forma, rosto e personalidade.
A Game Freak apresentou o projeto para a Nintendo. O conceito era estranho demais para qualquer executivo entender completamente. Mas Shigeru Miyamoto — o criador do Mario — ficou interessado. E usou seu peso dentro da empresa para convencer a Nintendo a apostar no projeto.
O desenvolvimento durou seis anos. E quase destruiu a Game Freak.
Durante o desenvolvimento, a Game Freak quase declarou falência e cinco empregados chegaram a pedir demissão por conta das condições financeiras do estúdio. O próprio Satoshi Tajiri chegou a trabalhar muitas horas sem receber um tostão.
“Pokémon nasceu de uma ideia que Satoshi Tajiri teve a partir de seu hobby da infância de colecionar besouros e colocá-los para batalhar. O primeiro game levou seis anos para ser desenvolvido. A Game Freak quase declarou falência durante o processo, e o próprio Tajiri trabalhou sem receber por longos períodos.” — EiNerd, ao publicar análise dos 25 anos de Pokémon e a história de seu criador.
O Lançamento Modesto — e a Reviravolta Que Ninguém Esperava
Pokémon Red e Green foram lançados no Japão em 27 de fevereiro de 1996 para o Game Boy. Inicialmente, as vendas dos jogos foram consideradas apenas modestas. No entanto, um concurso promovido pela revista japonesa CoroCoro ajudou a impulsionar a popularidade dos games, que logo se tornaram febre entre os japoneses.
O Mew — um Pokémon secreto escondido no código do jogo — foi central nessa explosão. Crianças contavam umas para as outras como conseguir o Pokémon raro. A troca de dados pelo cabo Link criava o que Tajiri havia imaginado anos antes: crianças conectadas pela caça de criaturas.
Ash Ketchum — o protagonista do anime que veio depois — foi chamado de Satoshi no Japão. E seu rival Gary chamou de Shigeru — em homenagem a Shigeru Miyamoto, o homem que acreditou no projeto quando ninguém mais acreditava.
A Lição de Marketing Que Pokémon Entrega
Pokémon é o maior estudo de caso sobre conexão social como motor de crescimento que o entretenimento já produziu.
O jogo não cresceu por publicidade. Cresceu porque as crianças precisavam umas das outras para completar a Pokédex. Você não conseguia pegar todos os Pokémon sozinho — precisava trocar com amigos. Precisava do cabo Link. Precisava da outra criança.
No marketing, chamamos isso de network effect. Quando o valor do produto aumenta quanto mais pessoas o usam. Um Pokémon isolado não vale muito. Dois jogadores conectados já valem mais. Mil crianças trocando Pokémon em todo o Japão criaram um fenômeno que mudou a cultura pop mundial.
Um menino tímido que perdera os besouros da infância criou um jogo para que outras crianças nunca perdessem a magia de caçar e colecionar. E o mundo nunca mais foi o mesmo. 🎮
Você cresceu jogando Pokémon? Qual foi o seu Pokémon favorito? Me conta nos comentários!
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