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Panini vende 24% mais com o álbum da Copa 2026 — mas já está se preparando para quando a licença com a Fifa acabar

O álbum oficial da Copa do Mundo 2026 é o maior já lançado pela Panini: 980 figurinhas, 112 páginas, crescimento de 24% nas vendas parciais em comparação com o álbum do Catar 2022, segundo o CEO da Panini no Brasil, Raúl Vallecillo. Mas por trás desse recorde, a empresa já vive uma corrida contra o tempo silenciosa: o contrato atual com a Fifa termina em 2030, e depois disso, mais de 60 anos de tradição ligada às Copas do Mundo podem simplesmente acabar.

Uma dependência de mais de meio século em um único parceiro

Desde o primeiro álbum de figurinhas da Panini para uma Copa, em 1970, a empresa italiana publicou 15 álbuns consecutivos sobre o torneio. É difícil encontrar outro produto de consumo de massa tão diretamente identificado com um único evento periódico ao longo de tanto tempo. Só que essa identificação profunda também é uma vulnerabilidade: se o contrato com a Fifa não for renovado após 2030, a Panini perde de uma só vez o produto mais icônico do próprio catálogo.

O crescimento de hoje não resolve o risco de amanhã

Os números atuais são excelentes: mais colecionadores, inclusive um crescimento relevante do público feminino, além de faixas etárias cada vez mais amplas participando da coleção. Segundo Vallecillo, “o fenômeno social associado a um álbum está relacionado a esse grau de interação que um evento tão importante como a Copa do Mundo proporciona”. Só que sucesso presente não elimina risco futuro — pelo contrário, quanto maior a dependência de um único produto de sucesso, maior o impacto de eventualmente perdê-lo.

Vallecillo afirmou que a empresa “buscará as melhores alternativas para dar continuidade a essa história” após o fim da licença atual.

Diversificar antes que a urgência apareça

A frase do executivo é reveladora: em vez de esperar o fim do contrato para começar a pensar em alternativas, a Panini já está sinalizando publicamente, com anos de antecedência, que está avaliando caminhos para continuar existindo além da licença específica da Copa da Fifa. Isso inclui expandir linhas de colecionáveis paralelas, como os cards Adrenalyn XL, e fortalecer outros contratos esportivos, como a CONMEBOL Libertadores.

O paradoxo de comunicar um risco durante o momento de pico

Existe algo estrategicamente interessante em admitir publicamente, durante o auge de vendas de um produto, que esse mesmo produto tem prazo de validade contratual. A Panini poderia simplesmente aproveitar o sucesso atual sem mencionar o problema futuro. Ao contrário, o próprio CEO trouxe o assunto à tona em entrevista, o que sugere uma escolha deliberada de já preparar o mercado (e talvez os próprios investidores) para uma eventual transição, em vez de deixar isso como surpresa repentina em 2030.

A sacada de marketing

Todo negócio construído fortemente em torno de um único parceiro, licença ou contrato-âncora enfrenta, cedo ou tarde, a mesma pergunta: o que acontece quando essa relação específica terminar? A resposta mais segura não é esperar o momento da ruptura para reagir — é começar a diversificar e comunicar essa diversificação enquanto o negócio principal ainda está no auge, com caixa e atenção suficientes para sustentar a transição. Empresas que só começam a buscar alternativas depois que o contrato-âncora já terminou costumam fazer isso sob pressão financeira, com muito menos margem de manobra do que teriam se tivessem começado antes.

E você, ainda cola figurinhas do álbum da Copa? Comenta aqui embaixo.

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