Em 2009, dois homens tentaram emprego no Facebook. Os dois foram rejeitados.
Cinco anos depois, o Facebook pagou US$22 bilhões para comprar a empresa que eles haviam criado depois da rejeição.
E os dois brincaram: “Somos do Clube dos Rejeitados pelo Facebook.”
A história real do WhatsApp é uma das mais épicas do mundo da tecnologia. 📱
Conteúdo
Jan Koum: O Imigrante Ucraniano Que o Facebook Não Quis
Jan Koum nasceu em 1976, numa aldeia perto de Kiev, na Ucrânia soviética. A família era pobre. Sem aquecimento central, sem água quente. Quando tinha 16 anos, emigrou com a mãe para a Califórnia, onde cresceu dependendo de assistência social do governo americano.
Aprendeu programação sozinho. Conseguiu um emprego na Yahoo como engenheiro de infraestrutura. E em 2007, depois de quase uma década na empresa, saiu para tentar algo novo.
Tentou emprego no Facebook. Foi rejeitado.
Dias depois, comprou um iPhone e teve a ideia: um aplicativo de mensagens que mostrasse o status do usuário — disponível, ocupado, na academia. Sem publicidade. Sem armazenamento de mensagens. Simples e privado.
Era o embrião do WhatsApp.
Brian Acton: O Stanford Que o Twitter e o Facebook Rejeitaram
Brian Acton se formou em Matemática em Stanford. Trabalhou no Yahoo por 11 anos. E quando saiu, também quis tentar novas oportunidades.
Em agosto de 2009, tentou emprego no Twitter. Foi rejeitado. Postou no próprio Twitter: “O Twitter me negou. Vai ser uma jornada empolgante encontrar o próximo passo.”
Em setembro de 2009, tentou emprego no Facebook. Foi rejeitado. Postou novamente: “O Facebook me negou. Foi uma boa experiência e oportunidade de crescimento pessoal.”
E então conheceu Jan Koum — seu ex-colega do Yahoo — e os dois fundaram o WhatsApp juntos em fevereiro de 2009.
Os posts de rejeição viraram os documentos mais citados da história do Silicon Valley quando, cinco anos depois, a história virou pública.
US$250 Mil Para Começar — E US$22 Bilhões No Final
Os primeiros anos do WhatsApp foram difíceis. A empresa quase fechou várias vezes. Jan Koum considerou desistir.
O investimento inicial veio de cinco ex-colegas do Yahoo — no total, US$250 mil que mantiveram a empresa viva nos primeiros meses críticos.
Mas o WhatsApp cresceu. Sem publicidade. Sem propaganda. Sem coleta de dados dos usuários. Com uma proposta radical para a época: privacidade primeiro.
Em 2014, o WhatsApp tinha 450 milhões de usuários ativos. Mark Zuckerberg foi pessoalmente à casa de Jan Koum — numa pizzaria perto da antiga sede do Facebook — para negociar a aquisição.
O valor final: US$19 bilhões em dinheiro e ações. Mais US$3 bilhões em ações restritas para os fundadores. Total: US$22 bilhões.
O Facebook — a mesma empresa que havia rejeitado os dois — pagou US$22 bilhões para comprar o produto que eles criaram depois da rejeição.
“Nós fazemos parte do Clube dos Rejeitados pelo Facebook!” — Jan Koum, cofundador do WhatsApp, em entrevista à revista Forbes, ao relembrar que tanto ele quanto Brian Acton tentaram emprego no Facebook antes de criar o app que seria vendido à empresa por bilhões.
O Final Que Ninguém Esperava: Eles Saíram Brigados
Mas a história tem mais um capítulo.
Koum e Acton sempre foram contra publicidade no WhatsApp. Eram contra o uso dos dados dos usuários para fins comerciais. E quando o Facebook começou a pressionar para monetizar o aplicativo — e depois surgiu o escândalo Cambridge Analytica —, os dois fundadores saíram da empresa.
Brian Acton saiu em 2017. Perdeu mais de US$1 bilhão em ações restritas que ainda não haviam sido liberadas. Depois disse publicamente: “Eu vendi a privacidade dos meus usuários.” E lançou o Signal — o aplicativo concorrente com foco total em privacidade.
Jan Koum saiu em 2018. Também deixou dinheiro sobre a mesa.
Os dois que criaram o WhatsApp com a proposta de não ter publicidade saíram da empresa que compraram recusando implementar publicidade. Até o fim, permaneceram fiéis à ideia original.
A Lição de Marketing Que o WhatsApp Entrega
A história do WhatsApp é o maior argumento que existe para o conceito de product-market fit puro — quando o produto é exatamente o que o mercado precisava, mesmo que o mercado ainda não soubesse.
Em 2009, ninguém estava pedindo um app de mensagens sem publicidade, sem coleta de dados, sem propagandas. O mercado dominante era o SMS pago e os e-mails.
Koum e Acton criaram o produto que eles mesmos queriam usar. E o mundo inteiro quis usar junto.
Dois rejeitados pelo Facebook criaram o produto mais valioso que o Facebook já comprou. 📱
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